Jesus disse a Pedro: Tu és Pedro (pedra) e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja.

Jesus faz dele a pedra da unidade na Igreja. E dá-lhe poderes muito grandes: dar-te-ei as chaves do Reino dos céus. E tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

Depois da ressurreição o Senhor confirmou esses poderes, dizendo: apascenta as minhas ovelhas, apascenta os Meus cordeiros. Seria pastor de todo o rebanho de Cristo, dos fiéis e de todos os pastores.

O papa, sucessor de Pedro, herdou esses poderes e a mesma missão ao serviço de toda a Igreja.

Temos de obedecer ao Santo Padre, vendo nele a Cristo. Havemos de rezar por ele. O Senhor fala das portas do inferno, dos ataques do demónio contra a Igreja e contra os que estão à sua frente.

Os primeiros cristãos rezavam insistentemente por Pedro, que Herodes tinha mandado prender para o matar. O Senhor enviou um anjo a libertá-lo da prisão.

Pedro e os seus sucessores teriam a missão de garantir a unidade na Igreja, como a pedra do alicerce garante que a casa se mantém unida e não se desmorona.

Havemos de estar unidos a ele não só pela oração, mas também escutando o que nos diz e obedecendo ao que nos manda em nome de Jesus.

As portas do inferno não prevalecerão

Jesus deixou uma garantia a Pedro e a todos cristãos: as portas do inferno não prevalecerão contra ela. O demónio fará tudo para destruir a Igreja como vemos ao contemplar a história da Igreja. Nos primeiros séculos vieram as perseguições. Não a venceram. Tertuliano escrevia por volta do ano 200: «sangue de mártires, semente de cristãos».

Vieram depois as heresias. O arianismo, no século IV, parecia ter corrompido a fé recebida. Os defensores da ortodoxia foram perseguidos e desterrados. Mas o demónio não levou a melhor.

Depois as invasões dos bárbaros ameaçavam deitar abaixo o que já estava construído. Mas a maioria deles abraçou a fé católica.

Vieram os escândalos de sacerdotes e até de papas. Apareceu a rebelião de Lutero e do protestantismo que separou da Igreja muitas nações. Mas a Igreja rejuvenesceu e alargou a sua mensagem a novos povos da terra.

Não faltaram nunca as perseguições. Também o século XX, há pouco terminado, foi um século de mártires. Surgiram maus exemplos dentro da Igreja, no próprio clero, nas últimas décadas. Mas a barca de Pedro continua segura porque nela está Cristo e tem mais poder que todos os demónios.

Há anos S. João Paulo II conversava com o beato Álvaro del Portillo. Falavam da situação em alguns países e Mons. del Portillo comentou: – são coisas de Satanás.

E o papa perguntou: – o senhor já o viu?

– Não, mas sinto-o.

– A mim acontece o mesmo – exclamou o Santo Padre.

Às vezes é fácil comprovar a ação do inimigo de Deus e das almas no mundo à nossa volta.

As palavras de Jesus garantem que a Igreja se manterá firme na fé. O demónio pai da mentira não conseguirá desviá-la da verdade. Ela goza do carisma da infalibilidade nas coisas da fé e da moral cristã. Jesus quis que esse carisma estivesse ligado a Pedro e aos seus sucessores. Ao anunciar a Pedro que o iria negar na Paixão diz-lhe: Eu roguei por ti para que a tua fé não desfaleça e tu uma vez convertido confirma os teus irmãos (Lc 22, 31-32).

O papa tem a missão de confirmar na fé os outros bispos e toda a Igreja, e goza duma assistência especial do Espírito Santo para apascentar todo o rebanho de Cristo.

Quando algum bispo ou sacerdote diz coisas que escandalizam pela sua novidade vejamos o que ensina o Santo Padre. Ele não tem o poder de inventar novas doutrinas mas tem a missão de nos garantir os ensinamentos de Jesus.

Rezemos a Nossa Senhora, Mãe da Igreja, para que a defenda dos ataques do maligno e proteja o Papa e todos os cristãos.

(Cfr. Celebração Litúrgica, Agosto-Setembro Ano A 2016/2017, edições Licel – Braga, pág. 1205-1207)