A mulher cananeia que nos fala o evangelho de hoje, segundo S. Mateus, podemos considerar que é uma mulher forte, passou por cima dos respeitos humanos, pois não era judia e portanto não fazia parte do povo eleito. Pela sua fé obteve a graça da cura da sua filha, que foi libertada de um espírito maligno.

Reflitamos acerca dos respeitos humanos que é um mal que afeta muitos católicos e talvez nenhum de nós possa dizer que não os tem ou que nunca os teve. Mas o que são os respeitos humanos. Em poucas palavras consiste em sentirmos vergonha de sermos católicos. Ora quem tem vergonha de estar de boa saúde, quem tem vergonha de possuir um emprego interessante e bem remunerado, ou uma família amorosa? Ninguém evidentemente. Por conseguinte, se sentimos orgulho das nossas riquezas naturais, a saúde, a vida profissional e a família e temos mesmo a tendência de ostentá-las, porquê a bizarrice do espírito humano que nos leva a ter vergonha das riquezas sobrenaturais, que são nossas, da nossa fé católica, da graça divina. Podermos acanhar-nos delas é incompreensível, no entanto é um mal muito difundido entre os católicos. O respeito humano é uma apostasia, e também um grave mal da alma o qual inutiliza toda a graça divina para a salvação. Deus bem pode favorecer no coração disposições para uma vida mais cristã, pode sugerir propósitos de conversão, mas o homem possuído pelo respeito humano, deixa de adotar as boas inspirações, por medo do mundo.

Nos evangelhos vemos um caso que é modelo dos respeitos humanos: Pilatos. No dizer de S. Jerónimo sete vezes quis Pilatos soltar Jesus e três vezes declarou publicamente que não havia culpa Nele e todavia cede à pressão dos seus inimigos.

Eusébio pai de Constantino Magno passava em revista os seus soldados, parou no meio do campo exclamou: os que forem cristãos venham para a minha direita, alguns tremeram, pois sabiam que Eusébio era idólatra. Eusébio por sua vez sabia que muitos desses soldados eram cristãos. Alguns valentes com o passo decidido, puseram-se à sua direita, exclamando: nós somos cristãos! O Imperador olhou para eles com alguma raiva e disse: – sois vós somente? Nenhum dos outros se moveu do lugar. Então dirigindo-se aos que estavam à sua direita disse Eusébio: – vós formareis a minha legião de honra e todos os outros serão expulsos das minhas fileiras. Porque da mesma maneira que se envergonharam do seu Deus diante do imperador, amanhã terão vergonha do imperador diante do inimigo.

S. Bernardo diz que os respeitos humanos: é vergonha de cumprir os seus deveres de religião por causa do mundo. S. João Maria Vianney, o cura de Ars, ensina que: “o respeito humano contém a cegueira humana mais desprezível. Infelizmente, não tomamos atenção ao que perdemos. Ah, meus irmãos que infelicidade para nós perdermos o nosso Deus, que nunca mais ninguém poderá substituir. Nós perdemos o céu com todos os seus bens e seus prazeres, mas outra desgraça é que tomamos o Demónio como nosso pai e o inferno com todos os tormentos, como nossa herança e nossa recompensa; trocamos as nossas doçuras e alegrias eternas por sofrimentos e lágrimas. Meus Deus! Ainda podemos continuar a pensar e viver como escravos do mundo?” (fonte, sermão de S. João Maria Vianney, 1883).

S. João Batista é um modelo para nós, na fortaleza, integridade e pureza, não tinha respeitos humanos cumpriu bem a sua missão. Ele não se entregava à intemperança que é a concupiscência da carne, à cobiça que é a concupiscência dos olhos e ao orgulho que é a concupiscência da soberba. Era um homem mortificado e penitente, desapegado das coisas deste mundo. Preocupado apenas em anunciar o Messias, preparar os caminhos Dele e da Sua vida pública, utilizava as coisas deste mundo só em vista de Cristo. S. João Batista humilde sabia exatamente o seu lugar, a sua missão: ele não era o Messias, ele não era o Esposo. Eis aí S. João Baptista! Que nos sirva de modelo e exemplo. Diz a sagrada Escritura “aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda esse é que me ama” (Jo 14, 15). Lembra-te que Deus é teu soberano Senhor, a quem deves agradecer e a quem dependes em qualquer circunstância. Reflete que em poucos anos deverás comparecer perante Ele, que será o teu reto juiz, a fim de lhe prestares contas de toda a tua vida e que da Sua sentença dependerá a tua eternidade.

O católico deixa-se vencer pelos respeitos humanos, quando escolhe o pecado e despreza a virtude; quando afasta a luz da verdade e abraça as trevas do erro; quando diz não à santidade e abraça o vício.

Não escondamos vergonhosamente a nossa fé, não tememos manifestá-la para não merecermos a condenação de Cristo. Diz Jesus: “Quem se envergonha de Mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na sua majestade” (Lc 9,26). Reencontremos este transbordamento de alegria, de sermos salvos pela graça de Cristo e de oportunamente exprimi-lo com desembaraço. Como diz S. Inácio: – se o soldado espontaneamente fala da guerra, se o mercador fala do seu comércio e do apaixonado daquela que ama, será facilmente ao católico falar do seu Amigo, do seu Benfeitor, do seu Salvador, do seu Deus, de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quanto mais é intensa a luz, mais as trevas recuam. Quanto mais a vida católica brilhar publicamente, mais as sombras da apostasia se dissiparão. Deveremos ter coragem, o caminho da perfeição é para os fortes; para os fortes que se fazem fortes com a graça de Deus, apoiados em Deus, porque sabem que por eles mesmos são fracos. Sejamos fiéis a essa graça, ao Espírito Santo que quer hoje nos dar força, a coragem contra o respeito humano, contra o inimigo interior, contra o velho homem para que nos salvemos, para que propaguemos a fé e a caridade. Façamos pois reviver em nós, este brio simples de sermos católicos, sou católico eis a minha glória, minha esperança, minha salvação, meu canto de amor e de vitória. Eu sou católico, sou católico!

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo e para sempre seja Louvado e sua Mãe santíssima.