O plano de Deus na Transfiguração. «Pedro disse a Jesus: “Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias”.»

Este mistério de fé é muito importante. Se não estivéssemos firmes na fé na Ressurreição de Jesus, a nossa vida não teria sentido. «E se Cristo não ressuscitou, também nós não ressuscitamos», exclama S. Paulo. A ser assim, é vã a nossa fé.

Talvez por isso, há na Igreja grande devoção a este mistério da vida de Jesus. 135 paróquias têm como padroeiro o Senhor da Transfiguração, sendo a maioria do rio Douro para cima.

A falta de fé na Ressurreição de Cristo e na nossa, leva a atitudes erradas na vida.

– Há um endeusamento do corpo, na procura do prazer, no comodismo e em satisfazer-lhe todos os caprichos, como se depois desta vida mortal nada mais tivéssemos a esperar na vida.

– Há um apego desordenado à vida presente, como se tivéssemos de ficar aqui para sempre. Devemos conservar esta vida enquanto o Senhor quiser, mas não encarar como uma desgraça o chamamento de cada um de nós à vida eterna, pela morte.

Nós e a Transfiguração de Jesus. «Então Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse: “Levantai-vos e não temais”. Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus.»

A Transfiguração do Senhor move-nos a concretizar alguns propósitos para a vida.

Santificação na vida ordinária. Pedro fez uma proposta a Jesus: construir três tendas para Jesus, Moisés e Elias. Ele não se importa de ficar ao ar livre. Mas quando passou a visão, encontrou-se com a mesma realidade de antes. Foi preciso descer à planície, à vida de todos os dias. Aí nos chama o Senhor para que nos santifiquemos. Quando estamos metidos nas nossas preocupações e trabalhos, também estamos a amar a Deus, a fazer a Sua vontade e, portanto a santificarmo-nos, e não apenas quando estamos a rezar.

Viver na graça de Deus como caminho para a felicidade eterna. A vida da graça é a participação na vida e felicidade de Deus. Esta começa na terra e vai continuar para sempre no Céu. Como pretendemos então viver habitualmente em pecado na terra e na amizade de Deus no Céu, como prémio duma vida de pecado?

A santa Missa Transfiguração de Cristo. Em cada celebração da Eucaristia, Jesus Cristo transfigura-Se diante dos olhos da nossa vida. Nós vemo-l’O transfigurado, pela luz da fé. Sabemos que por detrás das aparências do pão e do vinho, está Ele todo inteiro, vivo e glorioso como está no Céu.

A celebração do Domingo é este encontro com Jesus Cristo no Tabor. Entramos na Igreja e ficamos fisicamente separados de todas as preocupações da vida de cada dia e aqui convivemos com Ele na glória.

Que Nossa Senhora nos ensine e ajude a tirar fruto deste encontro semanal com Jesus. (Cfr. Celebração Litúrgica, Agosto-Setembro Ano A 2016/2017, edições Licel – Braga, pág. 1131-1132)