O erro e a ignorância produziram muitos estragos. O profeta Oseias, olhando para o seu povo e vendo-o longe da felicidade para a qual estava chamado, escreveu: “O meu povo definha por falta de ciência”. Quantas pessoas não andam metidas na tristeza, no pecado, no desconsolo, na maior das desorientações, por desconhecerem a verdade de Deus! Quantos não se deixam arrastar por modas ou pelas ideias que uns poucos homens situados em lugares de influência impõem, ou são arrastados por falsos raciocínios, com a cumplicidade tão frequente das más paixões!

O inimigo de Deus e das almas sempre lançou mão de todos os meios humanos possíveis. Vemos, por exemplo, que ora se desfiguram umas notícias, ora se silenciam outras; ora se propagam ideias demolidoras sobre o casamento, por meio dos seriados de televisão de grande alcance, ora se ridiculariza o valor da castidade e do celibato; propugna-se o aborto ou a eutanásia, ou semeia-se a desconfiança em relação aos sacramentos e se dá uma visão pagã da vida, como se Cristo não tivesse vindo redimir-nos e lembrar-nos que o Céu nos espera. E tudo isto com uma constância e um empenho incríveis. O inimigo não descansa.

Nós, que queremos seguir os passos do Mestre, não vamos ficar calados, como se as coisas fossem irreparáveis e já nada tivesse remédio. Pode-se imprimir um rumo diferente à história, porque não está predestinada para o mal e Deus nos deu a liberdade para que saibamos conduzi-la até Ele.

É uma tarefa de todos: a cada cristão, esteja onde estiver, compete-lhe a missão de tirar os homens da sua ignorância e dos seus erros. Ainda que haja profissões que possam ter uma maior influência na vida pública, todos podemos e devemos semear a boa semente com simpatia, com amabilidade, com oportunidade, na própria família, entre os amigos, entre os colegas de trabalho ou de estudo: esclarecendo os erros com a serenidade e a segurança de quem tem a verdade do seu lado, facilitando aos outros os meios de formação oportunos, como umas palestras de formação religiosa, aconselhando-lhes um bom livro de conteúdo doutrinal sério, animando-os com o exemplo pessoal a comportar-se como bons cristãos.

Muitos sentir-se-ão fortalecidos pela nossa conduta serena e firme, e estimulados por sua vez a enfrentar essa avalanche de má doutrina que parece irreprimível: eles próprios se converterão em focos de luz para muitos que andam na escuridão. E veremos como em tantos casos se cumprirão aquelas palavras dirigidas por Tertuliano ao mundo pagão que rejeitava a doutrina de Jesus Cristo: “Deixam de odiar os que deixam de ignorar”.

Devemos tirar o máximo proveito das mil oportunidades que a vida ordinária nos oferece, para semear a boa semente de Cristo: numa viagem, ao ler o jornal, ao falar com os vizinhos, a propósito da educação dos filhos, ao participar nos organismos de classe… Em muitas ocasiões, elas surgirão espontaneamente, como parte da vida; noutras, com a ajuda da graça e com brio humano, saberemos provocá-las. Assim estaremos a serviço de Cristo; somos a sua voz no mundo. Assim não cairemos no sono, que foi a ocasião que o inimigo aproveitou para semear o joio.