As leituras proporcionam-nos refletir sobre uma virtude que é pouco falada e apreciada, nestes tempos de forte liberalismo moral, em que tantos agem e pensam como se fossem Deus, achando-se com autoridade de dizerem o que é bem e mal, essa virtude é a humildade.

Jesus que é a verdade, veio para dar testemunho da verdade e dar-nos o espírito da verdade, de certo modo a “verdade é a primeira caridade”. Como sabemos, toda a vida de Jesus esteve repassada pela humildade, desde a encarnação até à Sua morte. E é impressionante como na primeira leitura, com grande precisão se profetiza como Jesus entrou na Sua cidade de Jerusalém antes da Sua Paixão. A humildade do Servo de Javé, profetizado por Zacarias, não é obstáculo a que se apresente com uma força avassaladora com a qual fará triunfar o Bem e a Virtude.

Também nós, que somos pequenos, acolhemos mais facilmente uma pessoa simples humilde do que qualquer outra. Todos fogem do soberbo, porque lhes soa a falsidade e artificialismo, e nós gostamos mais, por instinto, do que é simples.

O Senhor Jesus manifesta a sua grande força, não em exibições de força e de mando, mas na humildade e simplicidade. Manifesta-Se como humilde criança que precisa de todas as ajudas humanas e cuidados. Se aparecesse como um rei poderoso, com as insígnias da sua dignidade, o mais certo é que não nos sentíssemos bem à beira d’Ele. No presépio conquista os corações dos pastores e quantos O foram visitar à gruta.

Para atrair as multidões não faz exibições de poder e grandeza. Vem revestido de simplicidade ao encontro das pessoas, com um desejo infinito de as ajudar. Socorre os que precisam.

Vence, deixando-Se vencer completamente na Cruz, a humilhação suprema e espera a cada um de nós no silêncio humilde do Sacrário. A humildade é a verdade, escreveu Santa Teresa. É a verdade acerca de Deus e de nós e a sua aceitação. Quem não aceita o que é, não se pode considerar humilde. A pessoa humilde é uma pessoa forte. Dizia ainda Santa Teresa: “quem possui as virtudes da humildade e do desapego, bem pode lutar contra todo o inferno junto e o mundo inteiro com as suas seduções”.

O orgulho das pessoas pequenas consiste em falar sempre de si mesmas; o orgulho das pessoas superiores consiste em nunca falar de si mesmos. O humilde é alguém que se conhece; e porque conhece as suas fraquezas e defeitos, sabe se proteger contra as suas falhas; já o orgulhoso, ao contrário, porque quer manter as aparências, é obrigado a todo o momento a justificar-se; acaba caindo no descrédito e no desprezo das pessoas. Quem quer ser melhor que os outros acaba rejeitado. A pessoa humilde é forte exatamente porque tem consciência da sua fraqueza. Há um provérbio grego que diz que: “mil homens não podem despir um homem nu”; isto quer dizer que aquele que é simples, humilde, sincero, está despido de vaidades e nunca é surpreendido, desmascarado, desmentido.

«Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve». Jesus faz-nos um convite aliciante: lançar fora os jugos que foram urdidos por nós e aceitar apenas o que nos vem de Deus pela vida de cada dia.

São muitos os pesos inúteis que nos oprimem e nos fazem andar vergados sob o peso deles. O Senhor quer lhos entreguemos e acolhamos sobre os nossos ombros apenas o Seu jugo.

O jugo da Lei de Deus. A pretexto de liberdade falsa, as pessoas rejeitam os Mandamentos que o mesmo Deus instituiu, e acabam por cair prisioneiros de outros bastante mais pesados e escravizadores: a droga, a boa mesa, o sexo, a exibição, o luxo e o poder.

Comecemos por aceitar um cumprimento generoso e fiel da Lei do Senhor, teremos verdadeira alegria, saboreando a veracidade das palavras de Jesus: meu jugo é suave e a minha carga é leve.

O jugo do Amor ao próximo. Levantamos muralhas para defender a inacessibilidade do seu reino egoísta. Isolam-se tanto que, quando querem romper a solidão, ao sentirem-se sufocados por ela, não o conseguem fazer.

Não conseguiríamos ter verdadeiro amor ao próximo, se não nos esforçássemos por ser humildes. É a soberba que nos leva a sermos desconfiados, por princípio; a sentir desejos de vingança; a ficar tristes, porque não nos deram a importância que julgávamos ter.

O jugo do Amor fiel. Esforcemo-nos por viver um amor fiel a Deus e aos irmãos, sem desânimos nem pausas; sem medida e sem esperar recompensa humana; com magnanimidade, sabendo abafar o mal na abundância de bem.

Jesus proclama a liberdade suprema, quando está pregado numa Cruz, como se fosse o maior dos escravos. O Sacrifício da Cruz é renovado na celebração da Santa Missa. Ao participarmos nela, identifiquemo-nos com os sentimentos de Jesus de perdão, de amor sem limites, de humildade.

Para terminar conto a seguinte parábola:

Certo dia, a pedra disse: – Eu sou forte! Ouvindo isso, o ferro disse: – Eu sou mais forte que tu! Queres ver? Então, os dois lutaram até que a pedra se tornasse pó.

O ferro, por sua vez, disse: – Eu sou forte! Ouvindo isso, o fogo disse: – Eu sou mais forte que tu! Queres ver? Então os dois lutaram até que o ferro se derretesse.

O fogo, por sua vez, disse: – Eu sou forte! Ouvindo isso, a água disse: – Eu sou mais forte que tu! Queres ver? Então, os dois lutaram até que o fogo se apagasse.

A água, por sua vez, disse: – Eu sou forte! Ouvindo isso, a nuvem disse: – Eu sou mais forte que tu! Queres ver? Então, as duas lutaram até que nuvem fez a água evaporar.

A nuvem, por sua vez, disse: – Eu sou forte! Ouvindo isso, o vento disse: – Eu sou mais forte que tu! Queres ver? Então, os dois lutaram até que o vento soprasse a nuvem e ela se desfez. O vento, por sua vez, disse: – Eu sou forte! Ouvindo isso, os montes disseram: – Nós somos mais fortes que tu! Queres ver? Então, os dois lutaram até que o vento ficasse preso dentro do círculo de montes.

Os montes, por sua vez, disseram: – Nós somos fortes! Ouvindo isso, o homem disse: – Eu sou mais forte que vocês! Querem ver? Então, o homem, dotado de grande inteligência, perfurou os montes, impedindo que eles prendessem o vento.

Acabando com o poder dos montes, o homem disse: – Eu sou a criatura mais forte que existe! Até que veio a morte; e o homem que achava ser inteligente e forte o suficiente, com um golpe apenas, foi vencido pela morte.

A morte ainda comemorava, quando, sem que ela esperasse, um homem chamado Jesus veio e, com apenas 3 dias de falecido, a venceu e todo poder foi lhe dado na terra e no Céu. Só Deus é forte!

Maria Santíssima, ao receber a mensagem do Céu que institui Mãe do Redentor, confessa diante do Arcanjo que é a Serva do Senhor.

Aprendamos com ela a sermos mansos e humildes do coração, e encontraremos a verdadeira alegria da vida.