Jesus, ao enviar os seus discípulos a anunciar a Boa Nova, previne-os de que irão encontrar oposição, como Ele encontrou. Dizia-lhes: «O discípulo não é mais que o Mestre» (Mt 10, 24). Mas tranquilizava-os: «Não temais». É como quem diz: Tende bom ânimo, tende confiança. «Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós» (Jn 20, 21). Jesus envia-os ao mundo como ovelhas para o meio de lobos, mas assegura-lhes o seu amor, a sua presença e proteção e o bom resultado da pregação. «Em verdade, em verdade vos digo: Fareis as obras que Eu faço e fareis obras ainda maiores porque Eu vou para o Pai» (Jo 14, 12). Jesus intercede por nós junto do Pai.

A primeira leitura apresenta-nos o exemplo do profeta Jeremias. Deus enviou-o à cidade santa para anunciar uma mensagem de destruição. O Profeta convidava os habitantes de Jerusalém à conversão de costumes. A sua mensagem era muito dura, pois anunciava a destruição da cidade e a deportação dos seus habitantes. Eles não acreditavam que isso fosse possível porque tinham lá o Templo do Senhor. Hoje também há portugueses que dizem: – que temos Fátima. Mas como alerta Jesus numa determinada passagem do Evangelho “se não vos arrependerdes perecereis todos igualmente” (Lc 13, 3). Jeremias sofreu a perseguição da classe dirigente de Jerusalém; no entanto, não deixou de confiar em Deus: «O Senhor está comigo como um valente guerreiro para me proteger.» Cheio de coragem anunciou com coerência e fidelidade a mensagem divina: «Assim fala o Senhor: Eu entregarei todos os tesouros dos reis de Judá e os habitantes de Jerusalém nas mãos do rei de Babilónia, que os deportará para Babilónia» (cf. Jer 20, 4-5).

Na Nova Aliança, os Apóstolos foram encarregados de anunciar uma mensagem cheia de esperança e consolação: Jesus é nome que salva. Cheios do Espírito Santo os Apóstolos anunciavam corajosamente «que Jesus é a pedra rejeitada pelos construtores, mas que veio a tornar-se pedra angular. E não há salvação em mais ninguém, porque não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos» (Act 4, 11-12). Anunciavam que Deus oferece a Salvação a quem acredita que Jesus é o Senhor.

Tal como acontecera aos profetas e como aconteceu ao próprio divino Mestre, os Apóstolos também tiveram de enfrentar a hostilidade das autoridades judaicas: «Já vos proibimos formalmente de falar em nome de Jesus”. Sabemos que os Apóstolos foram açoitados, encarcerados, mas estavam felizes pois tinham merecido ser ultrajados pelo nome de Jesus (cf. Act 5, 27.34-32). Jesus bem sabia das dificuldades que eles iriam enfrentar. Por isso falou-lhes abertamente: «Se me perseguiram a mim, também vos perseguirão a vós, mas não tenhais medo dos homens».

S. Paulo dirá a Timóteo: Proclama a Palavra, insiste oportuna e inoportunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência (2 Tim 4, 2).

Os Apóstolos confiavam plenamente na Palavra de Jesus, que no Evangelho de hoje, repete por três vezes: «Não tenhais medo. Não temais. Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma.» Tenhamos uma confiança sem limites na divina Providência porque: «Até os cabelos da nossa cabeça estão todos contados.» Deus está presente mesmo nos pequenos acontecimentos do dia a dia. O Pai celeste alimenta as aves do Céu e cuida das flores dos campos. Deus ama todas as criaturas, mas nós somos seus filhos e «valemos mais do que todos os passarinhos.» Somos testemunhas da bondade de Deus diante dos homens, enquanto estamos neste mundo. Jesus nos defende e nos recompensará, quando chegarmos à Pátria, apresentando-nos a seu eterno Pai: «A todo aquele que se tiver declarado por Mim diante dos homens, também Eu Me declararei por ele diante do meu Pai que está nos Céus. Mas àquele que Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante de meu Pai que está nos Céus».